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2 de jul. de 2010

Visão além da visão


Tudo aconteceu em uma cidadezinha pequena perto do campo.

Há muito tempo atrás enterrei uma carta em um pequeno jardim da praça, naquele papel, eu estava expressando tudo o que sentia por ela, Joana...

Nós éramos amigos há tantos anos, e mesmo assim, às vezes eu sentia como se já a conhecesse não só nesta, mas em outra vida.

Não tive escolha, tive que escrever aquelas palavras para ela, quando soube que ela estava à beira da morte, por conta de uma doença desconhecida na época.

Muito antes disto acontecer, eu e ela caminhávamos todos os sábados entardecidos na praça perto de casa, lá era um lugar incomparável, um lugar belo, cheio de flores, árvores, pássaros cantando, um lugar cheio de cor e melhor ainda nas noites de primavera, este brilhava com vaga-lumes demonstrando suas vozes a nós, com uma lua incrível e um céu estrelado.

Dentre todas estas características, existia um pequeno jardim, que Joana ia sempre, nele havia cultivo de pequenas flores e plantas meio caídas, eu não entendia porque Joana sempre gostava de ir lá, pois para mim aquilo tudo não passava de mato que já estava pra morrer, mesmo com cuidados.

Ela sempre trazia um pequenino regador e molhava suavemente aqueles brotinhos caídos e eu só ficava olhando, sem prestar muita atenção, só esperava ela terminar para podermos ir a outro canto da praça.

Há... Como Joana era linda, cabelos compridos e loiros, pele clara, alta, meio magra, um sorriso de dar inveja e um coração enorme.

Naquela tarde fria de fim de inverno, logo após escrever a carta, fui até a casa dela para ver como ela estava daquela doença, mas seus pais não me deixaram entrar, eles disseram que ela foi levada ao hospital em estado pior do que antes, na hora foi um choque para mim, sai de lá e corri como nunca corri para o hospital da cidade, quando cheguei, perguntei por ela, e os médicos diziam que ela estava descansando e não estava acordada... Acabei pedindo para passar a noite com ela, já que seus pais estavam deprimidos demais para ver sua própria filha naquele estado.

Era de madrugada, quando eu estava ao lado da cama de Joana sentado em uma cadeira segurando sua mão enquanto eu dormia, ela apertou minha mão e chamou por mim, acordei na hora e olhei em seus olhos e ela nos meus quando me disse:

“Eu tive um sonho, e você estava nele andando de mãos dadas comigo em um campo verde cheio de flores perfumadas, nossas famílias estavam há frente e todo mundo estava alegre, mas depois as coisas ficaram meio escuras e todos desapareceram... Só quero dizer, que eu não sinto, sei que te conheço não só aqui, mas em outro mundo, outra vida, se é que existe... Eu te amo, meu amigo...”

Após estas palavras ela fechou seus olhos e a força com que apertava minhas mãos foi desfeita; sai do quarto e procurei um medico mais próximo, esperei cerca de cinco minutos do lado de fora da porta, foi ai que me disseram em outras palavras, que Joana não estaria mais ao meu lado até o resto de minha vida.

Não pude entregar a carta a tempo, fiquei dias sem fazer as coisas que eu geralmente fazia, mas naquela tarde, fui até a praça, e estava levando comigo um pedaço de papel e flores. Caminhei até o jardim que Joana costumava regar e cuidar. Meio receoso, li em voz alta a carta que escrevera outrora:

Joana


"Espero que você fique boa logo, pois sem você minha vida não tem graça, mesmo com todas as cores, flores ou sorrisos do mundo, não quero que você chore ao ler isto, prometa para mim, ta?

Só quero que você saiba que isto não é algo que sinto, e sim algo que sei de verdade... Sei que não te conheço só nesta vida, sei que te conheço em outro mundo, uma outra vida."

Eu te amo, minha amiga



Julian J.R


Ao terminar, comecei a olhar com clareza para aquele jardim, e compreendi o porquê de Joana cuidar tão bem daquele pedaço de terra quase morto, simplesmente, porque aquilo é vida, assim como eu, e ela percebia e enxergava isto, sendo um jardim bonito ou não.

Enterrei a carta e coloquei as flores, muitos que viram meu ato naquele momento devem ter se perguntado por que eu coloquei flores ali se o corpo de Joana lá não estava, fiz isto porque, apesar do corpo dela não estar diante de meus olhos, o espírito dela estava, e confesso que foi a luz mais bela que já vi em toda minha vida.




(Betim.Giovane)

Um comentário:

  1. Nossa Gi, q lindo!!! sabe o q foi mais interessante nesse texto?foi q vc me fez lembrar de uma pessoa mto querida q tbém me deixou.Lembrei-me de minha amiga/irmã ISABEL.
    Assim como Joana,já nao posso mais vê-la, mas posso senti-la em espírito dentro do meu coração.
    Parabéns meu querido!!!! continue assim q vc vai longe!!!
    Um grande bjo!!!

    Eu(Ana Marta)

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